O Bróder Retumbante

O autor de O Brado Retumbante,  Euclydes  Marinho, afirmou que a minissérie não seria uma paródia da política nacional, sendo uma obra “totalmente fictícia”. Tudo bem se for assim, mas é impossível assistir ao programa sem fazer comparações com a vida política do Brasil. O protagonista realmente não tem nada dos últimos presidentes do Brasil, não cheira a Lula nem a FHC, e muito menos tem a ver com Dilma.

Logo de cara, o roteiro nos faz crer que ele é honesto. Depois de fazer um discurso feroz contra o governo, acompanhado por uma plateia apática, Paulo Ventura é colocado em situação-limite ao se envolver em acidente com motoqueiro e não ceder às propostas de suborno de policiais. Ao se tornar presidente, passa a viver na sede do governo no Rio de Janeiro, embora o Brasil da série conte com Brasília. No comando, ele conta com o apoio de poucos assessores, visto que todo o resto é oposição, item em extinção da política nacional. Por esse ângulo temos uma obra totalmente fictícia.

A história não nos diz se Ventura é de direita, centro ou esquerda. O ministério herdado do antecessor é superpovoado, com pastas para Criança, Adolescência, Velhice, um sujeito ruivo na Igualdade Racial e outro negro na Diversidade Racial. Apesar de honesto, Paulo Ventura não é moralista. Vive cercado de mulheres e reata um casamento de fachada para ter uma primeira-dama. É aí que a gente dá adeus ao “totalmente fictício”. Nesse ponto a memória traz de volta um político mineiro que é jovial como Paulo, mulherengo como Paulo, tem uma esposa de reserva como Paulo e foi presidente da Câmara, assim como Paulo, que também fala “trem”. No entanto, não dá ainda pra dizer que Aécio Neves é a grande inspiração para o personagem, afinal a minissérie só começou e o Ventura ainda vai enfrentar problemas tanto no governo quanto na família, coisa que Aécio nunca fez, primeiro porque ele mesmo cria seus problemas, depois por ter quem resolva por ele.

bróder

P.S: O ministro da Justiça da série também lembra bastante Renan Calheiros, que ocupou a pasta no governo FHC.

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